Segurança no trabalho: prevenção reduz riscos e fortalece produtividade

A segurança do trabalho tem deixado de ser encarada pelas empresas apenas como uma exigência prevista em normas e legislações para ocupar espaço na estratégia dos negócios. Mais do que disponibilizar equipamentos de proteção ou cumprir protocolos, organizações têm buscado desenvolver uma cultura permanente de prevenção, envolvendo lideranças e colaboradores na identificação dos riscos e na construção de ambientes mais seguros. Estudos sobre o tema apontam que uma cultura de segurança mais madura é fator relevante para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

A mudança passa pela compreensão de que cumprir a legislação representa o ponto de partida, e não o objetivo final. Treinamentos periódicos, identificação antecipada de situações de risco, uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e acompanhamento de indicadores permitem agir antes que acidentes aconteçam. “Quando a segurança é tratada somente como uma obrigação, existe o risco de o colaborador cumprir determinado procedimento apenas porque está sendo cobrado. O que precisamos construir é a consciência de que aquele cuidado protege a própria vida e a de quem trabalha ao lado”, explica o coordenador operacional do Grupo Trino, Izavam Lins.

Outro ponto fundamental é incorporar a prevenção às atividades cotidianas. Em ambientes operacionais, nos quais pessoas, equipamentos e veículos podem compartilhar os mesmos espaços, pequenas falhas são capazes de provocar consequências significativas. Por isso, orientações antes do início das atividades, comunicação de situações inseguras e participação dos trabalhadores na identificação dos riscos ajudam a transformar segurança em comportamento. “Não podemos esperar um acidente acontecer para discutir prevenção. Uma cultura de segurança eficiente é aquela em que o risco é percebido, comunicado e tratado antes de se transformar em uma ocorrência”, ressalta Lins.

As lideranças também exercem papel decisivo nesse processo. O comportamento dos gestores ajuda a determinar a maneira como os protocolos são assimilados pelas equipes, sobretudo quando segurança e produtividade parecem entrar em conflito. “A liderança precisa dar o exemplo. Não adianta existir um procedimento no papel se, diante de uma urgência operacional, a própria gestão permite que ele seja ignorado. Nenhum ganho de produtividade pode justificar colocar um trabalhador em risco”, pontua o especialista.

Além de preservar a integridade dos profissionais, investir em prevenção produz reflexos para o próprio negócio. Acidentes podem resultar em afastamentos, interrupções das atividades, perda de profissionais qualificados e outros custos para as organizações. Estudos recentes relacionam políticas como treinamentos regulares, utilização adequada de EPIs e monitoramento por indicadores à redução de acidentes e ao aumento da eficiência. “Segurança e eficiência não são conceitos opostos. Uma operação segura tende a ser também mais organizada, previsível e eficiente, porque reduz ocorrências capazes de interromper processos e comprometer resultados”, acrescenta Lins.

O avanço dessa cultura exige, portanto, que a prevenção seja incorporada às decisões da empresa e compartilhada por todos os níveis da organização. A própria Organização Internacional do Trabalho passou a reconhecer, em 2022, um ambiente de trabalho seguro e saudável como princípio e direito fundamental no trabalho. “O melhor resultado é chegar ao fim de uma jornada sabendo que a operação cumpriu seus objetivos e, principalmente, que cada profissional voltou para casa em segurança. Quando esse pensamento faz parte da cultura da empresa, a segurança deixa de ser obrigação e passa a ser um valor”, conclui Izavam Lins.

*Via Assessoria