Em um mercado de trabalho ágil e competitivo, acumular conhecimentos técnicos deixou de ser o único diferencial. A capacidade real de evolução depende da disposição para ouvir, refletir e ajustar a rota. Nesse cenário, poucas ferramentas são tão valiosas e ao mesmo tempo tão negligenciadas quanto o feedback. Trata-se de um dos maiores gargalos do ambiente corporativo, especialmente entre quem está dando os primeiros passos na carreira.
É inegável que a nova geração chega às empresas com trunfos expressivos. Domina ferramentas digitais, adapta-se com facilidade às viradas tecnológicas e oxigena os processos com visões inovadoras. São qualidades louváveis. O paradoxo é que, ao lado dessa bagagem, observa-se uma dificuldade crescente em lidar com avaliações que apontam pontos de melhoria.
Criou-se uma cultura de melindre. Frequentemente, qualquer ponderação crítica é interpretada como ataque pessoal, desvalorização ou injustiça. Trata-se de um erro estratégico: nenhum profissional se desenvolve alimentando-se apenas de elogios. São justamente os reparos sobre atitudes, decisões e resultados que revelam os pontos a serem melhorados no nosso desempenho.
É preciso maturidade para entender que o foco do feedback deve estar na mensagem, e não na forma. Evidentemente, toda avaliação exige respeito e profissionalismo por parte do gestor, mas o cenário ideal é raro. Sempre haverá palavras melhores ou momentos mais adequados para aquela conversa. Quem se apega unicamente à maneira como a crítica foi entregue perde a substância do que realmente importa para sua evolução.
Outro vício comum é o impulso defensivo. Interromper ou rebater imediatamente a avaliação fecha portas para o aprendizado. A atitude inteligente é demonstrar interesse genuíno na percepção do outro: fazer perguntas, pedir exemplos concretos e escutar até o fim.
Tão grave quanto a reação imediata é a tentação da retaliação. Transformar um feedback negativo em murmuração contra gestores ou colegas apenas alimenta fofocas e mina relacionamentos. Profissionalismo é saber separar o ruído emocional do aprendizado prático, preservando a reputação e o ambiente de trabalho.
Por mais que um feedback não seja perfeito ou totalmente justo, sempre haverá nele um grão de verdade capaz de provocar transformações positivas. Cabe ao profissional analisar os fatos com distanciamento, identificar padrões de comportamento e projetar atitudes diferentes. Aqueles que enxergam a crítica como um atalho de aprimoramento aceleram seu desenvolvimento, constroem credibilidade e ampliam sua plasticidade profissional. Em um mundo em constante transformação, saber ouvir não é mera elegância comportamental. É, acima de tudo, o combustível mais eficiente para uma carreira de longevidade e sucesso.

Georgina Santos, consultora empresarial e sócia da TGI Consultoria
*Via Assessoria