Agenda do LIDE Pernambuco aponta as tendencias econômicas para 2026

Durante Almoço Empresarial promovido pelo LIDE Pernambuco, realizado ontem (segunda, dia 9), o CEO da Archx Capital, Leandro Miranda, apresentou uma análise do cenário econômico global e brasileiro, destacando que 2026 deverá ser marcado por alta volatilidade e baixa previsibilidade. Segundo o executivo, o contexto exigirá das empresas maior disciplina financeira, controle rigoroso de riscos e acesso a informações qualificadas para a tomada de decisão.

 

De acordo com Miranda, o ambiente econômico atual é influenciado por fatores estruturais como o reordenamento geopolítico global, juros elevados, pressões inflacionárias persistentes e a fragmentação das cadeias produtivas. Esse conjunto de variáveis torna o processo decisório mais complexo e dependente de análises cuidadosas de cenário.

 

Capital mais caro – Na avaliação apresentada, o período de liquidez abundante observado no pós-pandemia ficou para trás. O mercado global opera agora em um ambiente de capital mais caro e seletivo, com menor tolerância a erros operacionais e estratégicos. Como reflexo, investidores têm buscado diversificação de portfólio, reduzindo a concentração em dólar e ampliando a exposição a ativos considerados reservas de valor, como metais preciosos e insumos estratégicos ligados à transição energética e à inteligência artificial.

 

O CEO da Archx Capital destacou ainda que o aumento da relevância da geopolítica tem impacto direto sobre os fluxos de capital e o comportamento dos mercados, ampliando a instabilidade informacional e exigindo maior capacidade analítica por parte de empresas e investidores.

 

Sinais de reacomodação – No cenário latino-americano, a análise apontou movimentos de reacomodação econômica em diferentes países. No caso da Argentina, indicadores oficiais e projeções recentes indicam a possibilidade de aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, com estimativas que, em alguns cenários, se aproximam de 5% ao ano. Miranda ressaltou, no entanto, que essas projeções estão sujeitas a revisões conforme a evolução das condições macroeconômicas e institucionais.

 

Crescimento limitado – Para o Brasil, a avaliação indica um ambiente de crescimento potencial mais contido, impactado por incertezas fiscais e pelo cenário internacional. Nesse contexto, a política monetária tende a seguir uma trajetória cautelosa, com redução gradual das taxas de juros, mantendo o custo do crédito elevado por um período mais prolongado.

 

Segundo Miranda, em cenários de baixa previsibilidade, a gestão financeira ganha ainda mais relevância. “Quando não é possível prever o cenário com clareza, as empresas precisam se preparar para diferentes possibilidades”, afirmou.

 

Liquidez e governança – Entre as principais recomendações apresentadas aos empresários estão a priorização da liquidez, com reforço de caixa e disciplina financeira; a gestão contínua de riscos, incluindo exposição cambial, volatilidade de commodities e inadimplência; e a realização de projeções recorrentes de fluxo de caixa, com horizonte mínimo de 12 meses.

 

Outras orientações incluem a revisão da carteira de clientes, com foco em margens sustentáveis e capacidade de pagamento, além da redução de estoques e do aumento da eficiência operacional, aproximando-se de modelos mais enxutos.

 

O executivo também ressaltou a importância de estruturas de controladoria robustas e do uso crescente da inteligência artificial aplicada à gestão financeira. “Não basta ter dados; é necessário que eles sejam consistentes e úteis para a tomada de decisão”, destacou.

 

Mercado de capitais – Apesar do ambiente desafiador, a análise aponta que o mercado de capitais tende a ganhar relevância como alternativa de financiamento, especialmente para empresas com governança sólida, transparência e posicionamento estratégico claro. Nesse cenário, investidores estratégicos, capazes de compartilhar riscos e gerar sinergias, devem assumir papel mais relevante do que aportes exclusivamente financeiros.

 

Na visão apresentada, 2026 deverá ser um ano voltado à preservação, preparação e construção de opcionalidade, enquanto 2027 pode oferecer um ambiente mais favorável para crescimento, consolidações e aquisições, especialmente para empresas que mantiverem disciplina financeira e diversificação de fontes de capital.

 

O encontro integra a agenda permanente do LIDE Pernambuco, que promove o debate qualificado e a cidadania empresarial, apoiando lideranças na interpretação de cenários complexos e na tomada de decisões estratégicas.

*Via Assessoria