Os desafios e caminhos na formação dos cidadãos de amanhã

A formação de cidadãos conscientes e preparados para impactar positivamente a sociedade começa muito antes da vida adulta. Entre os 9 e os 12 anos — fase marcada pelo desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia —, a escola e a comunidade desempenham um papel decisivo na consolidação de valores humanos fundamentais, como empatia, respeito à diversidade, cooperação, responsabilidade e cuidado com o meio ambiente.

 

Para Daniella Coelho, coordenadora e professora do curso de Psicologia do Centro Universitário UniFBV Wyden, esses aprendizados ganham força quando vividos na prática do diária. “Dos 9 aos 12 anos, a escola pode fortalecer esses valores por meio de experiências concretas: ouvir opiniões, resolver conflitos pelo diálogo e participar de decisões e projetos coletivos. Aliados ao pensamento crítico, esses aprendizados ajudam as crianças a compreender que suas escolhas afetam outras pessoas e que elas já podem contribuir para transformar o mundo”, destaca Daniella.

 

IMPACTO – Diferente de gerações passadas, em que a visão sobre questões sociais era mediada quase exclusivamente pela família, pela escola e pela televisão, a infância contemporânea é atravessada pelo acesso dinâmico à informação e pelas redes digitais. Esse cenário faz com que problemas globais, como mudanças climáticas e desigualdade social, cheguem cada vez mais cedo ao conhecimento dos alunos.

 

Daniella explica que essa hiperconexão amplia o repertório de expressão das crianças, mas também traz desafios emocionais que exigem atenção dos adultos.”Isso pode ampliar seu repertório e suas formas de expressão, mas também expô-las a preocupações difíceis de compreender. Não significa que as crianças de hoje sejam necessariamente mais maduras ou conscientes: suas percepções variam conforme o contexto e as oportunidades de diálogo com os adultos”, pontua a especialista do UniFBV Wyden.

 

PROTAGONISMO – Para transformar essa carga de informação em engajamento produtivo, educadores e gestores públicos são incentivados a criar espaços reais de escuta e participação. Estruturas como assembleias de turma, conselhos escolares representativos e projetos voltados para a resolução de problemas reais do bairro ajudam a exercitar a cidadania dentro do ambiente escolar.

A participação infantil, no entanto, não precisa se restringir aos muros da escola. Consultas públicas e fóruns comunitários adaptados com linguagem acessível permitem que meninos e meninas contribuam com propostas concretas para melhorias em praças, segurança e sustentabilidade urbana.

 

Segundo a coordenadora de Psicologia, o fator determinante para o sucesso dessas iniciativas reside no compromisso dos adultos em levar as propostas a sério. “Para que essa participação seja efetiva, os adultos precisam considerar suas ideias e explicar quais serão adotadas e por quê. Assim, as crianças exercitam autonomia, diálogo e responsabilidade coletiva, com apoio adequado à idade”, conclui Daniella Coelho.

*Via Assessoria