As famílias que mantêm os filhos em escolas particulares já precisam começar a olhar para o orçamento de 2027. Uma pesquisa com instituições de ensino aponta que 80,66% das escolas projetam reajustes entre 7% e 11% nas mensalidades no próximo ano, cenário que pode representar uma pressão adicional sobre o orçamento doméstico.
Diante da perspectiva de aumento, o planejamento antecipado pode ser uma das principais ferramentas para evitar que a mensalidade comprometa uma parcela excessiva da renda familiar. Para o mestre em Administração e professor da Wyden, Franz Petrucelli, a organização financeira deve começar antes mesmo da definição do novo valor da mensalidade. “Um reajuste de 7% a 11% representa um impacto relevante no orçamento familiar, principalmente para quem tem mais de um filho em idade escolar. Por isso, a família não deve esperar o início do ano letivo para descobrir se conseguirá arcar com a nova mensalidade. O planejamento precisa começar agora”, orienta.
Para as famílias, o primeiro passo é conhecer o impacto real do reajuste nas contas. A mensalidade deve ser analisada dentro de um conjunto de despesas que inclui matrícula, material escolar, uniforme, transporte, alimentação e atividades extracurriculares. “O primeiro passo é colocar todos os custos relacionados à educação na ponta do lápis. Não estamos falando apenas da mensalidade, mas também de matrícula, material escolar, uniforme, transporte, alimentação e atividades extracurriculares. Quando a família enxerga o custo total, consegue tomar decisões mais realistas”, explica Petrucelli.
Segundo o professor, esse mapeamento permite identificar quais despesas podem ser reduzidas ou reorganizadas antes que o aumento das mensalidades comprometa outras áreas do orçamento.
NEGOCIAÇÃO – Outra estratégia que pode ajudar a reduzir o impacto financeiro é conversar antecipadamente com a instituição de ensino. Condições de pagamento, descontos e possibilidades de negociação podem ser avaliados antes da renovação da matrícula.“A negociação também faz parte do planejamento financeiro. Antes de assumir uma nova despesa ou buscar uma alternativa, vale conversar com a escola, verificar condições de pagamento, descontos e possibilidades de negociação. Muitas vezes, antecipar essa conversa permite encontrar soluções que não seriam possíveis às vésperas do início das aulas”, afirma.
A antecipação também permite que os responsáveis pesquisem alternativas caso o reajuste ultrapasse a capacidade financeira da família.
“A pesquisa é uma ferramenta importante para o consumidor. Se o reajuste comprometer excessivamente o orçamento, a família pode avaliar outras instituições e comparar não apenas o valor da mensalidade, mas o conjunto de serviços oferecidos e o custo total da educação”, destaca.
Para o especialista, outro ponto que merece atenção é o efeito acumulado dos reajustes. Uma elevação aparentemente pequena em uma única despesa pode ganhar proporções maiores quando somada a outros custos que também sofrem aumentos. “O problema não está necessariamente em uma despesa isolada, mas no efeito acumulado de vários reajustes. Quando mensalidade, material, transporte e outras despesas aumentam ao mesmo tempo, o impacto sobre a renda pode ser muito maior do que parece inicialmente”, alerta Petrucelli.
CUIDADO – “Para famílias com dois ou mais filhos, o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso. Um reajuste que parece pequeno quando analisado individualmente pode representar um aumento significativo quando multiplicado pelo número de mensalidades pagas ao longo do ano”, observa.
O professor também recomenda às famílias evitar decisões financeiras sob pressão. Com a proximidade do período de renovação de matrículas, a recomendação é evitar decisões tomadas por impulso ou apenas pela urgência do calendário escolar. “A pior estratégia é tomar uma decisão financeira sob pressão. O ideal é antecipar o problema, revisar o orçamento, identificar onde é possível economizar e só então definir quais compromissos a família consegue assumir”, afirma o professor.
A orientação segue a mesma lógica defendida por Petrucelli para outros períodos de maior concentração de despesas familiares: planejamento, pesquisa e consumo consciente podem ajudar a preservar o equilíbrio das contas. “Em um cenário de mensalidades mais altas, planejamento, pesquisa e negociação deixam de ser apenas boas práticas e passam a ser ferramentas essenciais para preservar o equilíbrio financeiro da família. Quanto antes os responsáveis se organizarem, maior será a capacidade de absorver o reajuste sem comprometer outras despesas importantes”, conclui.
*Via Assessoria