Salário-mínimo e pisos salariais em 2026: principais mudanças e impactos para empresas e trabalhadores

A definição do salário-mínimo e a atualização dos pisos salariais para 2026 trazem impactos diretos tanto para trabalhadores quanto para empresas, influenciando desde a renda mensal até os custos operacionais, negociações sindicais e planejamento financeiro. O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de ajustes fiscais, inflação acumulada e revisão de políticas de valorização do trabalho no Brasil.

 

Segundo Ademar Mota, professor do curso de Ciências Contábeis da Wyden, o salário-mínimo funciona como uma referência econômica que vai muito além da remuneração básica. “O reajuste do mínimo afeta benefícios previdenciários, contratos de trabalho, encargos sociais e até acordos coletivos que utilizam esse valor como base”, explica.

 

Embora o valor oficial do salário-mínimo de 2026 seja definido por decreto federal, a regra vigente considera a reposição da inflação do ano anterior somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, dentro dos limites estabelecidos pelo novo arcabouço fiscal. Na prática, isso tende a resultar em reajustes mais previsíveis, porém com impacto acumulado relevante para as empresas.

 

No caso dos pisos salariais, a atenção deve ser redobrada. Diferentemente do salário-mínimo nacional, os pisos são definidos por convenções e acordos coletivos ou por legislações estaduais e setoriais, variando conforme a categoria profissional. “Muitas vezes, o piso cresce acima do salário-mínimo, o que exige das empresas um acompanhamento constante das negociações sindicais para evitar passivos trabalhistas”, alerta Ademar.

 

Para os trabalhadores, os reajustes representam ganho real ou, ao menos, preservação do poder de compra, especialmente em funções de menor remuneração. Já para as empresas, o impacto não se limita ao salário nominal. “Há reflexos diretos sobre férias, 13º salário, FGTS, INSS e benefícios atrelados à folha, o que exige planejamento orçamentário e revisão de custos”, afirma o professor.

 

Ademar Mota destaca ainda que 2026 será um ano estratégico para o alinhamento entre áreas contábil, financeira e de recursos humanos. “Antecipar cenários, simular impactos e manter diálogo com sindicatos são medidas fundamentais para garantir conformidade legal e sustentabilidade dos negócios”, conclui.

*Via Assessoria