Com seu caráter popular, espetáculo resgata slogan “A Paixão do Povo” nas encenações que acontecem de 18 a 21 de abril, no Marco Zero. Asaías Rodrigues viverá Jesus e Brenda Ligia será Maria na montagem, que chega com nova configuração de palco, com praticáveis e passarela
Falando sobre amor, solidariedade e liberdade como sagrados que precisam ser cultivados com devoção e fé na humanidade e no futuro, a 27ª edição da “Paixão de Cristo do Recife” chega este ano ao Marco Zero em temporada mais longa. Em função do feriado de Tiradentes junto ao da Semana Santa, o espetáculo terá quatro sessões em vez das três tradicionais, entre os dias 18 e 21 de abril, sempre às 18h.
Realizada pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), a grandiosa encenação gratuita e a céu aberto chegará ainda mais perto de seus públicos cativos e numerosos, reincorporando até no nome o caráter popular que sempre foi seu grande diferencial ao proclamar-se “A Paixão do Povo” no subtítulo. A inédita aproximação da plateia se dará através da nova configuração do palco, que contará com uma passarela em momentos emblemáticos, como a entrada de Jesus no templo e a Via Crúcis. Isso tudo aliado a praticáveis que permitirão às cenas serem construídas – e desconstruídas – em tempo real, dando movimento ao espetáculo.
Para contar a história mais evocada e celebrada da humanidade, a montagem conta com 50 atores e 60 figurantes no elenco, que apresentará como protagonistas Asaías Rodrigues (Zaza) e Brenda Ligia nos papéis de Jesus e Maria. Também como personagens bíblicos célebres estão Jr. Aguiar no papel de Judas; Carlos Lira como Pilatos; Albemar Araújo interpretando Herodes; Clau Barros como Madalena, Gil Paz vestindo João Batista; e Paula de Tássia encarnando o Diabo. A direção e o texto são de Carlos Carvalho.
“A Paixão recifense traz na narrativa uma leitura atenta do discurso político e religioso de Jesus, de Maria. Questões como o racismo e a violência urbana, tão latentes na atualidade, são discutidas à luz dos ensinamentos amorosos que o Cristo legou à humanidade”, diz o diretor.
Para Asaías Rodrigues (Zaza), mais que uma celebração de fé, a Paixão de Cristo do Recife restitui ao povo da cidade a verdadeira essência do personagem mais importante do imaginário ocidental, “que é única e exclusivamente o amor”. Para lidar com a responsabilidade de carregar a cruz e o peso de interpretar Jesus pelo quarto ano consecutivo, ele conta que passa o ano inteiro se preparando. “Faço dietas, fico recluso por dias em lugares solitários na natureza. E também vou às ruas ver o povo, compreender um pouco das suas dores, conflitos, conquistas, para tentar compreender o que Cristo veio fazer aqui na Terra e poder representá-lo com o máximo de verossimilhança que este amor profundo merece”, confidencia o ator, performer, diretor, encenador, figurinista e fundador da companhia teatral Coletivo Grão Comum.
Vivendo o papel de Maria pela terceira vez, Brenda Ligia ressalta a dimensão humana que sua personagem assegura ao enredo. “Ela tem medo, sente dor, como qualquer ser humano. Mas gerou o Salvador. Isso mostra sua força, a força da mulher. Somos o útero da humanidade”, afirma a premiada atriz, apresentadora e diretora que já atuou em séries de TV como “Assédio” e “Sob Pressão”, soma muitas montagens teatrais no currículo, além de ter estrelado filmes como “As Melhores Coisas do Mundo” (Laís Bodanzky), “Sangue Azul” (Lírio Ferreira) e “Bruna Surfistinha” (Marcus Baldini). Brenda confessa que quanto mais Paixões encena, mais apaixonada fica pela história, pelos personagens e pela forma como os recados urgentes do espetáculo alcançam, emocionam e transformam o público. “Sinto-me muito honrada em fazer parte dessa Paixão do povo recifense. É uma energia muito forte, um encontro de milhares de fés.”
O espetáculo de 2025 apresentará novos figurinos, assinados por Álcio Lins, misturando referências de época com tecidos e modelagens contemporâneas. A trilha sonora evocará os acordes do contemporâneo junto ao tradicional. Com participação do grupo musical e de dança Bacnaré (Balé da Cultura Negra do Recife), recém-empossado Patrimônio Vivo do Recife, a peça também traz uma composição de Milton Nascimento e outra de Erasmo e Roberto Carlos que dialogam com a narrativa de fé e amor através de letras que vêm sendo, nos últimos anos, cantadas em coro, emocionando elenco e público.
FICHA TÉCNICA – Apresentada pela Roda Cultural, “Paixão de Cristo do Recife: A Paixão do Povo” é uma realização da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), com produção de Paulo de Castro desde a primeira edição do evento. Conta com recursos da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet e tem patrocínio da Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife. Também patrocinam a Paixão o Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros – Suape e a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás).
SERVIÇO
“Paixão de Cristo do Recife: A Paixão do Povo”
No Marco Zero – Recife Antigo
Dias 18, 19, 20 e 21 de abril de 2025, às 18h
Acesso gratuito
Classificação livre
Duração: 1h40
*Todas as sessões terão intérprete de Libras
*Via Assessoria