Fevereiro Laranja: sintomas podem ser confundidos com outras doenças e atrasar o diagnóstico da leucemia

As leucemias representam um grupo diversificado de neoplasias que afetam a medula óssea. No mês dedicado à conscientização sobre a doença, o Fevereiro Laranja, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce dessa condição silenciosa. Muitas vezes, os sintomas iniciais são sutis e facilmente confundidos com problemas de saúde menos graves, retardando o início do tratamento adequado.

A condição apresenta sinais que variam conforme o tipo e a progressão da doença. Nas leucemias crônicas, a evolução é lenta e pode ser assintomática no início, sendo descoberta apenas em exames de rotina. Já as leucemias agudas costumam manifestar fadiga, palidez, falta de ar durante exercícios físicos, tontura, sangramentos prolongados, manchas roxas pelo corpo, hemorragias nasais e gengivais, além de febre e aumento dos gânglios linfáticos.

Segundo a hematologista Rosa Arcuri, da Oncoclínicas Recife, esses sinais frequentemente levam ao diagnóstico tardio. “Muitas pessoas confundem os sintomas da leucemia com quadros de anemia ou infecções virais e bacterianas, adiando a busca por um especialista”, aponta.

Embora qualquer pessoa possa desenvolvê-la, alguns grupos são mais suscetíveis à doença. “Pacientes acima de 60 anos, pessoas expostas a substâncias químicas, como benzeno e radiação ionizante, além daqueles com condições genéticas, como a síndrome de Down, possuem um risco maior”, explica Arcuri. Além disso, infecções pelo vírus HTLV-1 estão associadas a um tipo específico da doença, a leucemia de células T.

O diagnóstico precoce ainda enfrenta grandes desafios, como a dificuldade em realizar exames laboratoriais específicos e a demora para a consulta com um hematologista. “A chave para mudar esse cenário é garantir que os pacientes tenham acesso rápido a exames que identifiquem não só a presença da leucemia, mas também o seu tipo e as possíveis alterações genéticas envolvidas”, destaca a médica.
Essa análise é essencial para definir a melhor abordagem terapêutica, já que hoje existem medicamentos que atuam diretamente nessas mutações genéticas, aumentando a eficácia do tratamento e determinando a necessidade de um transplante de medula óssea.

Para evitar atrasos no diagnóstico, é fundamental que as pessoas fiquem atentas aos sinais do corpo. “Se notar palidez intensa, manchas roxas pelo corpo sem motivo aparente, gânglios aumentados nas axilas, pescoço ou virilha, não ignore esses sintomas. Procure um médico o quanto antes”, alerta Arcuri. Consultas regulares e exames laboratoriais também são importantes, principalmente para aqueles que já possuem fatores de risco.

A conscientização promovida pelo Fevereiro Laranja tem um papel crucial na educação da população sobre a leucemia. “Informação salva vidas. Quanto mais as pessoas conhecerem os sinais da doença, maiores são as chances de um diagnóstico precoce e de um tratamento bem-sucedido”, finaliza Rosa Arcuri.

*Via Assessoria